
Contra-Dança
Terno tradicional da Congada de Estrela do Indaiá, conhecido pela dança, pela alegria, pelas daminhas, pelo trança-fitas e por sua ligação com o mito da imagem de Nossa Senhora do Rosário.
O terno das daminhas
O Contra-Dança é um dos ternos tradicionais da Congada de Estrela do Indaiá. Embora tenha sido o terceiro terno fundado na cidade, em 1920, ele ocupa o quarto lugar na hierarquia da festa, vindo após o Moçambique, o Congo Catupé e o Congo Real Penacho.
Sua posição na procissão está ligada ao papel que desempenha dentro do mito de origem da Festa do Rosário. Na tradição preservada pelos congadeiros, o Contra-Dança representa as crianças escravizadas vindas de Angola, lembradas como as primeiras a encontrar a imagem de Nossa Senhora do Rosário na gruta.
Como eram crianças, não tinham força para retirar a imagem da santa. A tradição conta que elas usaram brincadeiras, danças, disfarces e alegria para distrair os guardas que protegiam a imagem. Assim, abriram caminho para que o Moçambique pudesse retirar Nossa Senhora do Rosário da gruta e levá-la até a igreja.
Por causa dessa função, o Contra-Dança não conduz as imagens dos santos durante a procissão. Sua missão é anunciar a boa notícia da descoberta da santa e abrir caminho para os demais ternos. Por isso, segue à frente do cortejo, guiando a procissão e mantendo viva a lembrança desse episódio da tradição estrelense.
O nome Contra-Dança faz referência a uma antiga dança popular afro-luso-brasileira, formada por doze pares de homens, em que um integrante de cada dupla se vestia de mulher. Essa tradição também é associada aos Doze Pares de França, ligados às histórias de Carlos Magno. Em Estrela do Indaiá, porém, a explicação mais forte está ligada ao mito da aparição de Nossa Senhora do Rosário e à religiosidade africana.
O terno foi fundado em 1928 por Dico Larino, seu primeiro capitão. Ao longo dos anos, a tradição foi conduzida por diversos capitães, entre eles Luiz do Dico, Geraldo do Dico, Pedro Morcego, João Marcos, Luís Maciel, Welinton, Ildemar, Paulo Sérgio, Paulo José, Edicarlos, Ronilson, Vinícius e, atualmente, Guilherme Ubiratan.
Diferente de outros ternos, o Contra-Dança não possui cânticos próprios. Sua força está principalmente na dança. A apresentação mistura elementos de quadrilha, passos característicos do próprio terno e o tradicional trança-fitas, uma das manifestações mais conhecidas da Congada de Estrela do Indaiá.
Os instrumentos utilizados pelo grupo são sanfona, caixas, pandeiro e cuíca, responsáveis por acompanhar a coreografia e dar ritmo à apresentação. O terno também conta com integrantes vestidos de palhaço, cuja função é proteger e fazer a guarda do grupo durante a festa.
A vestimenta mantém características próprias. Os homens usam chapéu branco, camisa, calça e saiote. As meninas vestem vestidos, e os meninos utilizam roupas semelhantes às dos adultos. A bandeira do terno é confeccionada em tecido branco e traz as imagens de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia.
Mesmo com o passar das décadas, o Contra-Dança nunca deixou de participar da Festa do Rosário. Atualmente, reúne cerca de 50 integrantes e segue preservando uma tradição iniciada em 1928. Mais do que um grupo de dança, o Contra-Dança representa a alegria, a criatividade e a esperança presentes no mito de origem da Congada de Estrela do Indaiá.
De 1928 até hoje
1928
Fundação do Contra-Dança por Dico Larino, primeiro capitão do terno.
Tradição antiga
O terno passa a representar as crianças escravizadas vindas de Angola no mito da imagem de Nossa Senhora do Rosário.
Procissões
Por anunciar a descoberta da santa, o Contra-Dança abre caminho e guia o cortejo.
Atualidade
O terno permanece ativo, com cerca de 50 integrantes, tendo Guilherme Ubiratan como capitão atual.
Quadrilha, passos próprios e trança-fitas
A identidade do Contra-Dança está na coreografia. Sem cânticos próprios, o terno expressa sua tradição pelo movimento, misturando quadrilha, passos próprios e o trança-fitas, uma das apresentações mais marcantes da festa.
Instrumentos
O ritmo da apresentação
A sanfona, as caixas, o pandeiro e a cuíca acompanham a dança e ajudam a manter o ritmo alegre e característico do terno durante a Festa do Rosário.
Função ritual
Abrir o cortejo
O terno anuncia a descoberta da santa e guia a procissão, abrindo caminho para os demais ternos.
Guarda do terno
Palhaços
Integrantes vestidos de palhaço atuam na proteção e guarda do grupo durante a festa.
Bandeira
Santos de devoção
A bandeira branca traz Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia.
Alegria que abre caminho
O Contra-Dança preserva uma parte singular da Congada de Estrela do Indaiá. Sua força não está no canto, mas no corpo em movimento, na brincadeira, na dança e na missão de anunciar a presença de Nossa Senhora do Rosário.
Desde 1928, o terno mantém viva uma memória marcada pela infância, pela esperteza e pela alegria. É por meio dessa expressão que o Contra-Dança continua abrindo os caminhos da Festa do Rosário e reafirmando seu lugar entre os ternos tradicionais da cidade.
