Congada de Estrela do Indaiá

Congada

História • Fé • União

Congo Pena Verde da Congada de Estrela do Indaiá
Ternos da Congada

Congo Pena Verde

Terno feminino da Congada de Estrela do Indaiá, ligado à luta das mulheres por espaço na Festa do Rosário e à memória de suas capitãs e famílias.

História do terno

Uma história de luta, fé e permanência

A história do Congo Pena Verde faz parte da luta das mulheres estrelenses para conquistar espaço na Congada de Estrela do Indaiá. Assim como ocorreu com outros ternos femininos, sua trajetória revela tensões, desafios e a busca pelo direito de participar de forma legítima da cultura religiosa do povo.

O terno foi fundado em 1988 por Maria Helena Pereira. A criação foi aprovada em 6 de maio de 1989, na mesma data da Grita Dourada, embora suas atividades já tivessem começado no ano anterior sob a liderança da própria Maria Helena.

Nos registros da Congada, o surgimento do Pena Verde aparece relacionado ao desejo de “puxar coroa”, função que ligava o grupo aos rituais de louvor e visita aos festeiros. A trajetória do terno também foi marcada pela ampliação da presença feminina em espaços antes pouco acessíveis às mulheres.

O nome do terno tem como símbolo uma pena verde. A memória do grupo associa essa escolha ao desejo de Maria Helena Pereira de utilizar uma pena semelhante à do terno de Neimar, Geraldo Antonio da Silva, capitão do Congo Real Penacho. A partir dessa referência, a fundadora e sua família deram ao novo grupo o nome Pena Verde.

Após a mudança de Maria Helena e sua família para Divinópolis, em Minas Gerais, o terno ficou parado por um período. Depois, foi reiniciado e passou por novas lideranças, mantendo viva a memória de sua fundadora e a continuidade da participação das mulheres na Festa do Rosário.

Mais do que uma formação musical e ritual, o Congo Pena Verde representa a permanência de famílias, capitãs, suplentes, dançantes e devotos que sustentaram a tradição mesmo diante de interrupções, mudanças de farda e reorganizações internas.

Linha histórica

Marcos do Congo Pena Verde

1988

Fundação do terno por Maria Helena Pereira, liderança associada ao início da trajetória do Congo Pena Verde.

6 de maio de 1989

A criação do terno foi aprovada na mesma data da Grita Dourada, embora suas atividades já tivessem começado no ano anterior.

1999

Depois de ficar parado por um período, o terno foi reiniciado e passou por reorganizações em sua condução.

2000

O terno passou a se chamar Congo Pena Verde e fortaleceu o desejo de puxar coroas durante a Festa do Rosário.

Continuidade

A história do terno seguiu com novas capitãs, suplentes e famílias responsáveis por manter viva sua presença na Congada.

Participação feminina

Mulheres, tradição e reconhecimento

A trajetória do Congo Pena Verde revela como os ternos femininos agravaram as discussões sobre gênero dentro da Festa do Rosário. Ao mesmo tempo, mostram como as mulheres sustentaram espaços de devoção, comando e pertencimento na Congada de Estrela do Indaiá.

Terno feminino

Uma presença que permanece

O Pena Verde integra a história das mulheres que enfrentaram preconceitos, reorganizaram funções e abriram caminhos para que novas gerações participassem dos rituais da Congada com visibilidade e autoridade.

Fundação

1988

Ano de fundação do terno por Maria Helena Pereira, segundo o registro apresentado na história do Congo Pena Verde.

Aprovação

6 de maio de 1989

Data em que a criação do terno foi aprovada, junto à Grita Dourada, com atividades iniciadas no ano anterior.

Símbolo

Pena verde

Elemento associado ao nome do terno e à memória de sua criação no contexto da Congada estrelense.

Fardas e símbolos

Cores, bandeira e transformação

Em sua história, o Congo Pena Verde vestia saia, blusa, gravata borboleta, colete e chapéu verde. Com o passar do tempo, foram realizadas modificações na farda, como a retirada da saia, a adoção da calça e a troca do colete pela faixa, mantendo a gravatinha borboleta, o lenço e o chapéu.

A bandeira do terno tem a função de guiar e proteger seus componentes, pagar promessas e conduzir visitas às casas dos festeiros e de outras famílias que precisam da presença do grupo.

O terno também puxa coroas, cantando para Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia. Essa função reforça o vínculo do Pena Verde com os rituais de fé e devoção que estruturam a Festa do Rosário.

Música e louvor

Cantos para visitar, louvar e puxar coroas

O Congo Pena Verde canta para louvar Nossa Senhora, visitar os festeiros, puxar coroas e acompanhar os rituais da festa. Seu repertório reúne cantos antigos e composições criadas pela própria capitã, formando aproximadamente quarenta músicas.

Entre os instrumentos utilizados estão caixas, caixa de guerra, surdo, apito e pandeiros. A musicalidade do terno é conduzida por seus capitães e suplentes, que orientam o ritmo e a forma das apresentações.

O ritmo das danças é variado. Há músicas em tons mais lentos e outras mais rápidas. Nos momentos de maior intensidade, os instrumentos e os cantos em voz firme homenageiam a mãe do céu, relembram a luta dos escravizados e afirmam a devoção que move o grupo.

Capitãs e continuidade

Famílias que sustentam a memória do terno

A história do Pena Verde registra diferentes capitãs e lideranças. Entre os nomes citados estão Maria Helena Pereira, Cícera Aparecida Borges, Lunamar Rosa Silva, Fabiana de Farias, Clóvis da Costa Santos e Claudenice Maria Silva Rocha Costa.

O registro também menciona Glaudelirce Silva Rocha como capitã atual e apresenta como suplentes Jucilene Silva Mendes Teixeira, Andreza Ianqueline Silva Mendes de Lara e Valquíria Lidiane Lourenço.

Essas lideranças preservam a continuidade do terno e mostram como a Congada se mantém por meio de vínculos familiares, transmissão de responsabilidades, organização coletiva e compromisso com a Festa do Rosário.

Tradição preservada

Um terno de fé, memória e resistência

O Congo Pena Verde ocupa lugar importante na história recente da Congada de Estrela do Indaiá. Sua memória reúne a luta das mulheres, a força das famílias, os cantos de louvor e a presença dos rituais de visita, proteção e coroação.

Ao permanecer na Festa do Rosário, o terno reafirma que a tradição também se transforma. Suas fardas, seus instrumentos, suas capitãs e sua bandeira registram uma história de fé, reorganização e continuidade dentro da cultura congadeira estrelense.