
Estrela de Ouro
Terno criado em 1988, reconhecido como uma conquista histórica da participação feminina na Festa do Rosário de Estrela do Indaiá.
Uma conquista das mulheres na Congada
A criação do Estrela de Ouro representa um momento importante na centenária Festa do Rosário de Estrela do Indaiá. Durante muito tempo, a participação das mulheres nos altos postos da Congada foi limitada, e os ternos ligados à condução da festa eram marcados pela presença masculina.
No início da festa, a presença feminina era proibida nas alas do congado. Essa proibição tinha forte relação com a criação dos ternos chamados “daminhas”, formados inicialmente por meninas e associados ao gosto do teatro grego antigo.
O Estrela de Ouro foi criado em 1988, em um período de transformação social e política no Brasil. Aquele ano também marcou a promulgação da Constituição de 1988, em 5 de outubro, e a luta das mulheres por participação mais ampla nos espaços da sociedade brasileira.
Em Estrela do Indaiá, a criação do primeiro terno feminino foi uma iniciativa de Laura Veloso Ribeiro. Segundo o registro, ela foi grande condutora desse movimento e enfrentou resistências para conquistar e garantir os direitos de participação das mulheres nos diversos espaços da Congada.
O terno foi fundado em 10 de setembro de 1988, por iniciativa de Laura, que foi sua capitã fundadora. A primeira participação aconteceu na Festa do Rosário daquele mesmo ano, realizada em setembro.
A criação do Estrela de Ouro abriu caminho para que mulheres assumissem presença ativa no congado, não apenas como participantes, mas também como lideranças. Sua história expressa devoção, coragem e permanência dentro da Festa do Rosário.
Ao longo dos anos, o terno enfrentou mudanças, disputas e dificuldades, mas manteve sua característica fundamental: ser um terno feminino. Essa permanência faz do Estrela de Ouro um símbolo da participação das mulheres na tradição congadeira de Estrela do Indaiá.
Marcos do Estrela de Ouro
10 de setembro de 1988
Fundação do Estrela de Ouro por iniciativa de Laura Veloso Ribeiro, sua capitã fundadora.
1988
Primeira participação do terno na Festa do Rosário de Estrela do Indaiá.
1994
O terno deixou de sair na festa, ficando sem atividade por alguns anos.
1998
Surgiu uma proposta para que Roseli Ailton de Araújo assumisse a continuidade do trabalho iniciado por Laura.
2003
Roseli passou o cargo de capitã para Gislaine Aparecida, mantendo o terno em atividade.
Devoção, presença e liderança
O Estrela de Ouro tornou visível a presença das mulheres na Congada de Estrela do Indaiá. Sua criação não foi apenas o surgimento de mais um terno, mas a abertura de um espaço de participação, comando e reconhecimento feminino dentro da Festa do Rosário.
Terno feminino
Um símbolo de permanência
Mesmo diante de resistências e mudanças internas, o Estrela de Ouro preservou sua marca principal: ser um terno feminino. Sua trajetória registra a força das mulheres na manutenção da fé, da memória e da tradição congadeira.
Fundação
1988
Ano de criação do Estrela de Ouro, terno feminino da Congada de Estrela do Indaiá.
Capitã fundadora
Laura Veloso Ribeiro
Nome associado à criação do terno e à luta pela participação das mulheres na Congada.
Característica
Terno feminino
Sua história está ligada à conquista de espaço, visibilidade e liderança das mulheres na Festa do Rosário.
Fardas, bandeira e cantos
As características das fardas do Estrela de Ouro são o brilho, a corte, o chamativo, transmitindo alegria. O terno é descrito com cores fortes, ligadas à sua presença visual nas ruas e nos cortejos da festa.
A bandeira do Estrela de Ouro tem azul e rosa como cores do terno. Suas imagens remetem a Nossa Senhora do Rosário, Santa Efigênia e São Benedito, santos que ocupam lugar central na devoção da Congada.
Os cantos do Estrela de Ouro são sempre louvores a Nossa Senhora, São Benedito e Santa Efigênia. São cantados em corais, com vozes das próprias integrantes das alas. O terno possui cantigas próprias, de autoria de suas participantes, e também cantadas vindas de outras congadas.
Entre os instrumentos utilizados aparecem caixas, taróis, sanfona e pandeiros, junto com trombinhos usados para dar colorido sonoro às apresentações do terno.
Lideranças e continuidade
A história do Estrela de Ouro registra a atuação de diferentes lideranças. Depois de Laura Veloso Ribeiro, o terno passou por momentos de interrupção e retomada, preservando a memória das mulheres que assumiram sua continuidade.
Roseli Ailton de Araújo recebeu, em 1998, a proposta de prosseguir com o trabalho iniciado por Laura. Em 2000, passou a sair à frente do terno e, em 2003, transferiu o cargo de capitã para Gislaine Aparecida.
A narrativa também registra a presença de outras mulheres na condução do grupo, como Sara Fernanda Aparecida, Débora e Viviane Aparecida Silva. Essas passagens mostram a continuidade do terno como espaço de transmissão de responsabilidades, devoção e pertencimento.
Em seus relatos, as capitãs destacam os desafios enfrentados pelas mulheres no exercício de seus direitos de participação, especialmente a dificuldade de conciliar os diversos papéis sociais atribuídos a elas. Ainda assim, o Estrela de Ouro se manteve como referência de luta e presença feminina na Congada.
Um terno de memória e conquista
O Estrela de Ouro ocupa lugar singular na Congada de Estrela do Indaiá por reunir devoção, memória e afirmação da presença das mulheres. Sua criação marcou uma mudança importante na forma de participação feminina dentro da Festa do Rosário.
Mais do que um grupo de dança e música, o terno preserva a história de mulheres que abriram caminho, enfrentaram limites e sustentaram uma tradição que permanece viva nas ruas, nos cantos, nas fardas, na bandeira e na fé do povo estrelense.
